rio 2016 jpg [Olimpíadas 2016, os atletas somos nós]Será que existe no mundo um povo que ri tanto das próprias mazelas quanto o brasileiro? Desvio de dinheiro público, corrupção, nepotismo e fraudes são alguns dos graves crimes cometidos contra o país e que caem no anedotário popular como se fossem coisas inofensivas e rimos como se não tivéssemos nada com isso. É um comportamento tão estranho quanto seria alguém se reunir em uma roda de amigos para contar que foi assaltado e virar a atração mais divertida do grupo. Ou, quem sabe, um assalariado dar gargalhadas ao receber, após um mês de trabalho, um envelope contendo uma piada, ao invés do contracheque (embora, na maioria dos casos, seja mesmo uma piada, ainda que sem graça). São comparações pertinentes, já que, cada centavo que forma os milhões surrupiados dos cofres públicos sai, sim, do nosso bolso, via impostos, sejam diretos ou indiretos. Então, qual é graça? Está comprovado que trabalhamos quatro meses por ano apenas para sustentar essa máquina de gastar dinheiro que está instalada nas casas legislativas país afora. Pessoas a quem passamos procuração para nos representar, mas que, com honrosas exceções, defendem apenas interesses de determinados grupos e não por acaso. Aí, fica a pergunta: Quem precisa mudar, nós ou eles? Se somos seletivos em nossas relações pessoais, devemos também evitar a promiscuidade no momento da solidão diante das urnas e deletar aquelas figuras de tristes lembranças.
Pode ser considerada engraçada a história do prefeito de uma cidadezinha do interior baiano, aprovado para ocupar a única vaga oferecida em um concurso público promovido justamente pela prefeitura sob seu comando? Ele achou que sim e decidiu apimentar a história, recorrendo à genética, para explicar também a feliz coincidência do sobrenome de sua família aparecer várias vezes na lista dos selecionados. Além da boa genética, responsável pela reprodução de tantas cabeças superdotadas, ele apelou para a baixa densidade demográfica do município, culpado por ter colocado em um espaço relativamente pequeno tantas pessoas consanguíneas. Sua excelência apenas esqueceu de reconhecer o mérito das outras pessoas, aquelas que o elegeram, criando as condições para que ele tivesse a grande idéia de realizar o concurso. É assim que funciona. Cada voto, uma sentença. A boa notícia é que há sempre uma chance de tentar outra vez. Se não usando a inteligência, pelo menos refletindo através da experiência.
Mas a gracinha da vez aparece travestida de exacerbado patriotismo, colorindo de verde e amarelo os cifrões desenhados nos olhos de quem enxerga, cobiça e pretende disputar os bilhões que estarão em jogo nas olimpíadas, a serem realizadas no Rio de Janeiro, em 2016. A bolsa de apostas já está aberta e as piadas vão desde o cenário que aguarda os atletas até os gastos previstos inicialmente, na verdade absolutamente imprevisíveis. Já se falou em valores de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões. Mas quem se lembrará desses cálculos daqui a praticamente seis anos, quando os jornais estamparem quatro ou cinco vezes mais que isso? Não faltam, ao mesmo tempo, trocadilhos com o nome do Rio e de bairros da cidade, em referência à violência, hoje seu verdadeiro e equivocado cartão postal. Os tipos de troféus que ficarão com os esportistas brasileiros são outros filões para as chamadas piadas prontas. Faltou somente falar do povo, esse personagem indesejável, sutilmente afastado dos grandes eventos devido ao baixo poder aquisitivo. Mas, certamente, acabará achando um espetáculo os telões a serem espalhados em pontos estratégicos.
Não deixa de ser uma contradição o empenho de atletas aposentados, empresários dos mais variados ramos e parlamentares na torcida organizada em prol das olimpíadas no Brasil, um país sem qualquer tradição de apoiar e promover esportes. Atletas de norte a sul terminam desistindo de carreiras claramente promissoras, vencidos pelo cansaço de correr inutilmente atrás desses mesmos personagens em busca de patrocínio. O pessoal que pratica esporte amador sabe melhor contar essa história. A fama de “país do futebol” que circula pelo mundo parece que restringiu o conceito de esporte no Brasil à bola e a chuteira. Aqueles que vencem essa barreira, e os exemplos são poucos para o tamanho do território, acabam se transformando em heróis. Os demais, são apenas atletas.
Pode ser considerada engraçada a história do prefeito de uma cidadezinha do interior baiano, aprovado para ocupar a única vaga oferecida em um concurso público promovido justamente pela prefeitura sob seu comando? Ele achou que sim e decidiu apimentar a história, recorrendo à genética, para explicar também a feliz coincidência do sobrenome de sua família aparecer várias vezes na lista dos selecionados. Além da boa genética, responsável pela reprodução de tantas cabeças superdotadas, ele apelou para a baixa densidade demográfica do município, culpado por ter colocado em um espaço relativamente pequeno tantas pessoas consanguíneas. Sua excelência apenas esqueceu de reconhecer o mérito das outras pessoas, aquelas que o elegeram, criando as condições para que ele tivesse a grande idéia de realizar o concurso. É assim que funciona. Cada voto, uma sentença. A boa notícia é que há sempre uma chance de tentar outra vez. Se não usando a inteligência, pelo menos refletindo através da experiência.
Mas a gracinha da vez aparece travestida de exacerbado patriotismo, colorindo de verde e amarelo os cifrões desenhados nos olhos de quem enxerga, cobiça e pretende disputar os bilhões que estarão em jogo nas olimpíadas, a serem realizadas no Rio de Janeiro, em 2016. A bolsa de apostas já está aberta e as piadas vão desde o cenário que aguarda os atletas até os gastos previstos inicialmente, na verdade absolutamente imprevisíveis. Já se falou em valores de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões. Mas quem se lembrará desses cálculos daqui a praticamente seis anos, quando os jornais estamparem quatro ou cinco vezes mais que isso? Não faltam, ao mesmo tempo, trocadilhos com o nome do Rio e de bairros da cidade, em referência à violência, hoje seu verdadeiro e equivocado cartão postal. Os tipos de troféus que ficarão com os esportistas brasileiros são outros filões para as chamadas piadas prontas. Faltou somente falar do povo, esse personagem indesejável, sutilmente afastado dos grandes eventos devido ao baixo poder aquisitivo. Mas, certamente, acabará achando um espetáculo os telões a serem espalhados em pontos estratégicos.
Não deixa de ser uma contradição o empenho de atletas aposentados, empresários dos mais variados ramos e parlamentares na torcida organizada em prol das olimpíadas no Brasil, um país sem qualquer tradição de apoiar e promover esportes. Atletas de norte a sul terminam desistindo de carreiras claramente promissoras, vencidos pelo cansaço de correr inutilmente atrás desses mesmos personagens em busca de patrocínio. O pessoal que pratica esporte amador sabe melhor contar essa história. A fama de “país do futebol” que circula pelo mundo parece que restringiu o conceito de esporte no Brasil à bola e a chuteira. Aqueles que vencem essa barreira, e os exemplos são poucos para o tamanho do território, acabam se transformando em heróis. Os demais, são apenas atletas.
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